sábado, 21 de Novembro de 2009

Uma novela rasca com um final previsível


«Dois golos na sequência de lances de bola parada ditaram a divisão de pontos entre Oliveirense e Gil Vicente, em jogo da 10.ª jornada da Liga de Honra, disputado num relvado alagado e com José Gomes, treinador adjunto do FC Porto, na bancada, para observar a Oliveirense (...) O encontro, disputado sob muita chuva, caracterizou-se pela luta e pelos pontapés longos, visto que era impossível fazer a bola rolar no terreno de jogo
in Record, 15/11/2009

"A Oliveirense não vai fazer nenhuma alteração no estádio, que se vai apresentar como está. Vamos tentar recuperar o relvado o mais possível, esperando que o bom tempo surja"
José Godinho, presidente da Oliveirense, 15/11/2009

"Se não vierem cinco dias de sol, não vai recuperar, porque conheço este relvado. Vai ser um terreno difícil, onde vai imperar muita luta, muito contacto."
Pedro Miguel, treinador da Oliveirense, 15/11/2009

"Esperamos bom tempo durante o resto da semana e que, no sábado, não chova"
José Godinho, 18/11/2009

«A FPF deseja que o jogo entre a UD Oliveirense e o FC Porto seja – como sempre são os jogos da Taça de Portugal – uma verdadeira festa do futebol, disputado dentro do melhor espírito do fair-play, do respeito e do desportivismo.»
ponto 5 do comunicado da FPF, 20/11/2009


«O árbitro Bruno Paixão decidiu que não há condições para se realizar o Oliveirense-F.C. Porto. (...) O relvado do Estádio Carlos Osório está completamente impraticável, até porque se abateu um forte temporal sobre o norte do país neste sábado de manhã. Chuvas intensas, ventos fortes e muito frio, que aumentaram os buracos e as zonas do relvado cheias de lama. Ora por isso a bola praticamente nem rolava.»
in Maisfutebol, 21/11/2009


«O relvado do Estádio Carlos Osório não está em condições de receber a partida e poderia colocar em risco a integridade física dos jogadores. Durante o aquecimento, foi notório que o relvado era um misto de lama e água, no qual os jogadores se enterravam a cada passo dado»
in A Bola, 21/11/2009

"O árbitro entendeu que não estavam reunidas condições para jogo, que a integridade dos jogadores e árbitros estava em risco e decidiu adiar. Está no seu direito. Eu, como presidente, compreendo, pois o relvado está praticamente impraticável. (...)
Espero que seja irreversível o processo para a construção de novo estádio. Demonstrámos a toda a comunidade oliveirense que
para estarmos numa competição não podemos ter este estádio, ou então teremos de descer de divisão."
José Godinho, 21/11/2009

"Isto foi um exercício prático para demonstrar que precisamos de um novo estádio"
José Godinho, 21/11/2009


Nem é preciso dizer mais nada. Os factos, as imagens, os comunicados e as declarações dos próprios presidente e treinador da Oliveirense ao longo da semana falam por si.

Fotos: A Bola, PUBLICO, Maisfutebol

Há coisas que não se esquecem - III

Porque há roubos que não tiveram direito a apitos especiais, sempre que o Bruno Ladrão se atravessar no caminho do tetracampeão, não deixarei passar a efeméride sem o devido refrescar de memória:



O que diria disto o Sr. Batota?


A pergunta é retórica, como é óbvio. O Sr. Batota não diz nada e o que mais lhe interessa é que a França esteja apurada para o Mundial da África do Sul em 2010, ainda que tenha conseguido esse apuramento através de um lance decisivo em que Henry assiste um colega depois de ter dominado a bola com a mão. Um erro de arbitragem muito grosseiro e que a FIFA convenientemente resolveu ignorar.

Em 6 de Junho de 2008 o Sr. Platini, Presidente da UEFA, comentando os castigos impostos pela UEFA ao FC Porto (no âmbito da Farsa “Apito Final”) e a outros clubes, revelou que estava “empenhado em deixar uma mensagem muito forte contra a batota”. Quem diria...



Não deixa de ser irónico que um francês que está à frente dos destinos da UEFA e que, além de se arrogar em justiceiro, está a fazer uma campanha miserável contra os clubes ingleses (que segundo ele "estão muito endividados"), assista agora em silêncio ao apuramento para o Mundial 2010 da sua selecção através da batota em detrimento de uma selecção anglo-saxónica, a Irlanda.
No que diz respeito ao comportamento da FIFA, esta já se tinha portado muito mal em Setembro quando criou regras já no final da fase de qualificação com o intuito de proteger os cabeças-de-série, depois de se saber que países como a França e Portugal teriam de disputar um play-off. Agora, ignorando a forma como a França se qualificou, a FIFA acabou de passar a mensagem de que vale tudo para que os países com maiores receitas estejam presentes na fase final do Mundial.

Fico-me com uma citação dessa grande personalidade do futebol luso que é Paulo Bento: “Andebol – mão, Basquetebol – mão, Futebol – pé”.

sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

O Amor da F.P.F. pelo Futebol




A Taça de Portugal é, segundo dizem, "a festa do futebol". Ou, se calhar, é apenas a final da competição que merece tal epíteto, disputada que é no "olímpico", "helénico", Estádio Nacional - como o descreveu, se a memória me não atraiçoa, o Dr. Silva Resende, conhecido sportinguista de Cinfães, durante a polémica sobre a final de 1983 (àquela arquitectura de traça mussoliniana nós preferimos chamar Estádio de Oeiras).



Pelo menos atendendo ao que se vem passando em redor do Campo Carlos Osório em Oliveira de Azeméis não parece que a F.P.F. se preocupe muito com as condições em que devem decorrer os jogos das eliminatórias da prova. Já não falo do estado do relvado, que admito se deva essencialmente ao mau tempo que se tem feito sentir este mês, mas que dizer da decisão da U.D. Oliveirense de retirar as cadeiras do recinto de modo a que o maior número possível de espectadores nele se possam enfiar, tipo sardinha em lata, à velha moda dos antigos eléctricos do Porto, cujo mote era "cabe sempre mais um"? O público dos nossos dias, habituado ao conforto dos estádios modernos, já não se sujeita de bom grado a semelhantes vexames.

Entendo que a Oliveirense queira arrecadar a maior receita possível e queira possibilitar que o maior número possível de adeptos assista ao jogo, mas então, por que não, por exemplo, ter transferido o jogo para o novo Estádio Mário Duarte? Ganhava o espectáculo, ganhava o público e ganhava a Oliveirense em termos de receita. Não vão os Pescadores da Caparica receber o Sporting no Restelo? Não defrontou o Monsanto em Torres Novas a equipa do Benfica?

Mas, pelos vistos, a F.P.F. não tem padrões mínimos de exigência para a realização dos jogos da sua prova mais importante ou, se os tem, eles são mesmo muito baixos.


Fotos: site da U.D. Oliveirense

quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

Honra aos Nossos!


Raul Meireles, tripeiro de nascença e jogador do F.C.Porto, assina a qualificação de Portugal para o Campeonato do Mundo de 2010. Bravo, Raul!


Foto: A Bola online

Ainda se Lembram? (III) O "Xico" Nóbrega


Cabeça caída, queixo quase colado ao peito, com um passo melancólico, esta era, de certo modo, a imagem de marca de Francisco Lages Pereira Nóbrega, que viu a luz do dia em Vila Real em 14 de Abril de 1942. De tal modo essa imagem se lhe colou que alguns adeptos de humor mais espontâneo diziam que ele perdera “cinco coroas” (antiga moeda de 2$50) no relvado das Antas.

Mas isto era nas pausas do jogo. Com ele a decorrer, o Nóbrega era um fogoso extremo-esquerdo, senhor de um drible mais que competente e um dos melhores jogadores a centrar uma bola que já vi actuar no F.C. Porto. E a isso aliava um poderoso pé esquerdo, que o viu facturar um número apreciável de golos durante a sua longa carreira no F.C. Porto, que decorreu de inícios da década de 60 a meados da década seguinte. Pelo meio, o Nóbrega foi quatro vezes internacional “A” por Portugal, entre 1964 e 1967.

Mas, de facto, pareceu sempre faltar-lhe alguma chama, dava a ideia de ser um jogador pouco motivado. O grande jornalista Vítor Santos frequentemente, ao escrever sobre ele, dizia que o Nóbrega patenteava “sempre os mesmos defeitos e as mesmas qualidades”.

A certo ponto dos anos sessenta irrompeu no clube um jogador da mesma posição que chegou a tirar-lhe o lugar, o angolano Serafim dos Anjos Mesquita Pedro, popularizado pela alcunha de “Malagueta”. Mas o Malagueta, coitado, que já não está entre nós e teve um fim triste, gostava muito das noitadas, e paulatinamente o “Xico” Nóbrega recuperou o lugar. Fez, por essa altura, parte da equipa que no Jamor venceu a Taça de Portugal de 1968, contra o Vitória de Setúbal (2-1), tendo apontado um dos golos, salvo erro o da vitória.

Ainda por cá estava, “sempre com os mesmos defeitos e as mesmas qualidades”, na época em que o Pavão morreu, em 1973, e participou nessa partida, também contra o Vitória de Setúbal.

Percorrendo as minhas memórias do Nóbrega, recordo-me da sua fulcral intervenção na jogada que deu o único golo da partida num jogo contra o Benfica nas Antas em Dezembro de 1968: antecipando-se a um defesa adversário dentro da grande-área, o Nóbrega rematou com violência à meia-volta, o guarda-redes do Benfica, José Henrique, apenas conseguiu rechaçar a bola, e o Custódio Pinto, ali mesmo à mão de semear, empurrou-a para a baliza. Nessa época disputámos o título renhidamente com o Benfica, e já dela falei no artigo sobre o “Bacalhau”. Voltarei a ela aqui, um dia, com mais pormenor. Hoje a tinta da minha pena virtual é derramada em homenagem ao “Xico” Nóbrega.

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Arrivederci Quaresma


«O jornal espanhol Mundo Deportivo avança na sua edição de hoje que o Atlético de Madrid está na corrida pelo extremo, para além do Génova, Nápoles, Everton e... Sporting. Recorde-se que o clube de Simão Sabrosa já tentou a contratação de Quaresma em 2006 e 2007, esbarrando na altura no alto preço pedido pelo FC Porto. O regresso aos campeões nacionais é também uma forte hipótese para o jogador prosseguir a carreira, garante o diário La Gazzetta dello Sport.»
in Record, 12/11/2009

Compreendo que o Ricardo Quaresma queira jogar com regularidade, algo que não faz desde que saiu do FC Porto, e percebo perfeitamente a urgência pessoal em fazê-lo, nomeadamente no caso de Portugal garantir o apuramento para o Mundial da África do Sul.

Contudo, esperando que esta paragem de três semanas no campeonato contribua para que o trio de ataque portista - Rodriguez, Hulk e Falcao - e o "joker" Varela atinjam o pleno em termos físicos, faz sentido a FC Porto SAD equacionar a possibilidade de contratar (por empréstimo) Quaresma a partir de Janeiro?

Apesar das saudades das trivelas e de diversos golos espectaculares, sinceramente penso que não e por três razões:

1º) As principais carências do plantel portista são no meio-campo, com destaque para médios ofensivos de qualidade. A investir em Janeiro a prioridade deve ser nesse sector;

2º) Em ano de Mundial, a SAD tem de valorizar os seus activos - por exemplo, Hulk e Varela - e não os que pertencem ao Internazionale;

3º) A forma como Quaresma forçou a sua saída do FC Porto e as palavras pouco simpáticas que proferiu quando assinou pelo Inter (qualquer coisa do estilo, "tinha o desejo de voltar a jogar por um grande clube"), fazem com que muitos adeptos portistas, entre os quais eu me incluo, não vejam um hipotético regresso do Quaresma com os mesmos olhos com que veriam o de Deco ou Ricardo Carvalho, só para citar dois exemplos.

terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Pérolas Retóricas do Zé do Boné (15)


"Os sistemas não se inventam, mas funcionam sempre, do meio-campo para a frente, em função das características dos jogadores de que se dispõe".

Entrevista a "A Bola" em 1979 citada em Alfredo Barbosa "Pedroto o Mestre", 1998.

A propósito da finalização


Provavelmente muitos dos nossos leitores já assistiram aos exercícios de aquecimento da actual equipa do FC Porto. Este processo consiste normalmente num curto período inicial em que os jogadores descontraidamente fazem passes e trocam a bola em grupos de dois (sendo que quem trabalha com o Bruno Alves lhe manda as bolas para a cabeça), depois há corrida, sprints e saltos aos pares num período mais alargado e mais tarde há uma sessão de "meinho" num curto espaço de terreno com duas equipas de quatro elementos cada e os restantes dois jogadores a envergarem coletes diferentes para fazerem parte da equipa que tem a posse de bola (nunca indo, portanto, ao "meio"). Por fim, nos 5 a 10 minutos que restam, os jogadores de campo reúnem-se a aproximadamente 40 metros da baliza, cada um com uma bola, para depois, um a um, fazerem uma triangulação com um dos treinadores adjuntos e de seguida rematarem à baliza um pouco antes da entrada da grande área.

Ora, é precisamente desta última fase do aquecimento que venho abordar. Não sou da equipa técnica e ainda por cima sou um leigo no que à teoria futebolística diz respeito e, por isso, desconheço o objectivo de tal exercício no âmbito dos minutos finais que precedem um jogo de futebol, mas uma coisa me intriga: será normal que 8 em cada 10 remates (mais coisa menos coisa) tenham como destino a bancada e os placards publicitários ou saiam frouxos às mãos do guarda-redes? Será normal que a quase totalidade dos remates falhem o alvo poucos minutos antes do início da partida? É possível que a explicação para isto seja muito simples e esteja relacionada com o facto de todo o trabalho específico importante ser feito nos treinos e à porta fechada e que estes sejam apenas momentos para descontracção dos atletas antes dos jogos. Mas nesse caso volto a perguntar: não será muito pior pôr um jogador a fazer 2 ou 3 remates de longa distância à baliza antes de começar o jogo e ele não acertar um único? Não ficará desmotivado a tentar a sua sorte de longe?

Dito isto, não me espanta nada que o FC Porto tenha uma prestação paupérrima em bolas paradas e remates de longa distância. Não me espanta nada que o Hulk (que tem um remate portentoso) remate e saia (quase) sempre uma "rosca" muito ao lado ou que o Meireles já não marque golos fora da área há muitos meses. No futebol, como nas outras profissões, quando não há trabalho não há resultados.

No passado estive atento às sessões de aquecimento de alguns dos melhores clubes da Europa que já defrontámos: Manchester United, Chelsea, Liverpool, Real Madrid ou Barcelona. Em todos eles identifiquei um factor comum no que respeita a remates à baliza, há 2 ou 3 jogadores que ficam alguns minutos do aquecimento a trabalhar o remate à baliza e esses remates são precisamente o contrário dos dos nossos jogadores: muito poucos falham o alvo.

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

6 anos



Música do futebol

Inspirado neste artigo do João Saraiva, relembrei algumas das músicas que me ajudam a exprimir um pouco do que é o futebol para mim.
Estas duas músicas não estão relacionadas com o FC Porto ou outro clube em particular, mas são antes um hino ao espectáculo que é o Futebol e às emoções e paixões que este desperta.

1.


Bola na trave não altera o placar
Bola na área sem ninguém pra cabecear
Bola na rede pra fazer um gol
Quem não sonhou ser um jogador de futebol?

A bandeira no estádio é um estandarte
A flâmula pendurada na parede do quarto
O distintivo na camisa do uniforme
Que coisa linda, é uma partida de futebol

Posso morrer pelo meu team
Se ele perder, que dor, imenso crime
Posso chorar se ele não ganhar
Mas se ele ganha, não adianta
Não há garganta que não pare de berrar

A chuteira veste o pé descalço
O tapete da realeza é verde
Olhando para bola eu vejo o sol
Está rolando agora, é uma partida de futebol

O meio campo é lugar dos craques
Que vão levando o team todo pro ataque
O centroavante, o mais importante
Que emocionante, é uma partida de futebol

O goleiro é um homem de elástico
Só os dois zagueiros tem a chave do cadeado
Os laterais fecham a defesa
Mas que beleza é uma partida de futebol

Bola na trave não altera o placar
Bola na área sem ninguém pra cabecear
Bola na rede pra fazer um gol
Quem não sonhou ser um jogador de futebol?

O meio campo é lugar dos craques
Que vão levando o team todo pro ataque
O centroavante, o mais importante
Que emocionante, é uma partida de futebol
Por Skunk, "Partida de Futebol"

2.


I’m in love with a football club
At the age of 7 my father took me
He got me hooked into this game
I’m a member of an ape like race in the final days of the 20th century
When we don’t win I go insane…

Goal, Goal, Goal, Goal, Goal
Goal, Goal, Goal, Goal, Goal
Goal, Goal, Goal, Goal, Goal
Goal, Goal, Goal, Goal, Goal

Wanna see you take that ball
and make it break the laws of gravity
Sell me a dummy on the way…
Curved ball around the wall
Make the play with a touch of clarity
I get much pleasure from this game

Goal, Goal, Goal, Goal, Goal
Goal, Goal, Goal, Goal, Goal
Goal, Goal, Goal, Goal, Goal
Goal, Goal, Goal, Goal, Goal

Who were so powerful
watch these giants collide
so individual
he was never ever ever offside…

Goal, Goal, Goal, Goal, Goal
Goal, Goal, Goal, Goal, Goal
Goal, Goal, Goal, Goal, Goal
Goal, Goal, Goal, Goal, Goal
Goal, Goal, Goal, Goal, Goal
Goal, Goal, Goal, Goal, Goal
Goal, Goal, Goal, Goal, Goal
Goal, Goal, Goal, Goal, Goal
James, "Goal Goal Goal"

A palestra de Fernando Gomes na EGP


Na passada sexta-feira, dia 13 de Novembro, Fernando Gomes foi convidado para uma palestra inserida na pós-graduação do curso de "Gestão do desporto profissional" da EGP - University Business School. Num ambiente diferente das assembleias gerais da SAD ou do clube, o administrador do FC Porto respondeu a várias perguntas e fez um conjunto de afirmações interessantes.

"[o sucesso desportivo continuado do FC Porto, sobretudo a nível internacional] é um autêntico milagre".

Para concretizar o fosso que separa Portugal de países como a Inglaterra e a Espanha, Fernando Gomes serviu-se de um quadro comparativo das receitas: Manchester United (324 milhões de euros), Barcelona (308), Bayern Munique (295), Chelsea (268), Arsenal (264), Liverpool (210), Villarreal (68) e FC Porto (54).

"O FC Porto está num mercado parco. Tem apenas 10 ou 12 por cento da capacidade de gerar receitas nos mercados em que está envolvido. Mas, ao mesmo tempo, compete ao mesmo nível em aspectos como a aquisição de jogadores."

"O Keirrison [agora com 20 anos] foi referenciado há dois anos, mas os valores eram incomportáveis. Acabou por ir para o Barcelona, por 14 milhões de euros, com encargos de um milhão de euros por ano. Não tivemos capacidade financeira para competir com o Barcelona."

"Lisandro foi ganhar três mihões de euros para o Lyon".

Na resposta a perguntas da plateia, Fernando Gomes considerou interessantes, mas quase inviáveis uma liga ibérica ou uma liga europeia de clubes.

"[a integração do FC Porto, Benfica e Sporting num potencial campeonato ibérico] Seria aliciante, do ponto de vista de receitas, mas há regras extremamente restritivas a esse respeito no futebol europeu. Ainda recentemente não foi permitida a entrada dos escoceses do Celtic e do Rangers na Premier League."

"O Real Madrid recebe, por ano, 135 milhões de euros, só de direitos televisivos. O Barcelona 125 milhões e o FC Porto nove. Do ponto de vista de mercado, seria muito interessante, mas isso provocaria a diminuição da competição em Portugal".

Quanto à possibilidade de o FC Porto competir numa Liga europeia, foi descrita como "inviável", até porque a UEFA respondeu com o reforço de prémios da Champions. "A oportunidade surgiu em 1998, mas esse tempo já passou. A melhoria das receitas por parte da UEFA tornou quase impeditivo os grandes clubes de darem esse passo".

"Apesar das inúmeras presenças na Liga dos Campeões, o FC Porto tem direito a fatias do market pool muito inferiores a clubes holandeses ou turcos, por exemplo."

"O nosso sucesso passa por antecipar e conquistar os jogadores através da projecção que os atletas ganham no FC Porto"

"O FC Porto é um case study europeu", estatuto granjeado à custa de vários factores: "cuidadosa gestão, boa observação de jogadores e equipas competitivas". O fortalecimento da marca também conta. "Somos muito procurados".

A estratégia do FC Porto para o sucesso, segundo Fernando Gomes, é a seguinte: "profissionalização dos quadros; aposta no centro de treinos e no estádio novo; estratégia agressiva de investimento no plantel e planeamento a longo prazo". Boa parte do sucesso tem que ver com a "prospecção de jogadores e recolocação posterior com negócios altamente vantajosos".

Com um "passivo de 155 milhões de euros, sem contar com outro de 50 milhões relativos à EuroAntas" (detentora do estádio), Fernando Gomes referiu não ser importante o montante. "Os passivos não interessam para nada. Temos é de ter capacidade para gerar fluxos de maneira a pagar esses passivos".

domingo, 15 de Novembro de 2009

Intermitência e tremedeira

Os críticos no final do jogo entre Portugal e a Bósnia estavam de acordo. A exibição de Portugal foi demasiado intermitente. Por uma vez, concordo com a rapaziada da informação desportiva . Com efeito, o jogo entre Portugal e a Bósnia foi dominado pela intermitência, sobretudo da nossa selecção. A Bósnia cumpriu o plano e apenas foi infeliz, a meu ver. A equipa portuguesa teve bons momentos, mas para além de intermitente esteve desequilibrada e no final do jogo completamente à deriva. E essa imagem marcou o jogo. Espero que não marque o futuro.

Na 1ª parte o jogo correu quase todo pelo lado direito com Nani em destaque. Algumas triangulações em que intervieram Meireles e Deco foram vistosas, mas perdiam-se : o último passe não saía e se saía não encontrava finalizador, pois raramente conseguimos meter “muitos” homens na grande área da Bósnia.
Quando o fizemos, um cruzamento suficientemente tenso de Nani aproveitou uma excelente desmarcação de Bruno Alves pela esquerda que fez o golo que valeu o resultado.

Os últimos minutos da 1ª parte foram um sufoco, e no seguimento de um canto a trave da nossa baliza abanou com força, mas impediu bravamente que os bósnios empatassem o jogo.

Na 2ª parte não entramos bem, mas como os bósnios se mantiveram na expectativa, acabamos por tirar partido dessa prudência do adversário para abanar um pouco jogo, o que conseguimos durante cerca de 15 minutos, entre os 55 e os 70 minutos, em que tivemos algumas oportunidades e Liedson construiu e perdeu a melhor chance de aumentar a vantagem. Bem, depois, até ao final do jogo, foi uma tremedeira total e fomos muito felizes, nomeadamente quando na mesma jogada vimos duas vezes os postes a substituir o nosso guarda redes. Foi dos lances mais aplaudido pelos indefectíveis da selecção. Uma loucura !
Fomos felizes no resultado, mas mostramos muita fragilidade. Vamos ter um osso muito duro de roer . O adversário é forte, conta com o nosso medo e tem uma grande vantagem atlética. Hoje dividimos a posse de bola : 50% para cada lado. Na Bósnia, teremos de ser muito hábeis para controlar o jogo. Os nossos laterais estiveram fracos, Liedson e Simão pouco influentes, e a entrada de Coentrão não resolveu coisa nenhuma, à direita ou à esquerda. Pepe, RCarvalho, Meireles , BAlves e Nani estiveram a um nível satisfatório. Deco esteve no melhor de Portugal, mas esteve demasiado intermitente o que nos penaliza, pois é o jogador que pensa o jogo e marca o ritmo. O Eduardo é o tipo de guarda redes que nenhuma selecção gostaria de ter. O final foi um sufoco e o salve-se quem puder. A equipa perdeu completamente o tino.
Os sub-21 já foram. O futuro não é risonho. O Hulk jogou pela selecção brasileira. Lá perdemos um potencial jogador para a nossa selecção. Que jeito dava. Oxalá não se perca o Fernando, pois corremos o risco de não estar nas principais competições em jogos de selecção, no futuro próximo, se não soubermos aproveitar os recursos que nos chegam dos países bárbaros. Que barbaridade !

sábado, 14 de Novembro de 2009

SMS do dia (LXXXV)


Dizem que recebeu "bons conselhos" e os soube ouvir.

Ainda se lembram? (II) O Bife

Aproveitando a deixa do Alexandre e para equilibrar gastronomicamente as coisas, depois do Bacalhau nada melhor que um Bife.

Não me lembro dele propriamente como jogador, mas faz parte das minhas recordações infantis.

Primeiro que tudo pelo nome de guerra - Bife, que como ele relatou veio de:
“Estava com pressa para jogar futebol e tropecei no caminho. A marmita caiu e a tampa abriu e eu estava para morrer de fome e o que eu vi ali? Um bife enorme”, narra o atleta, fazendo gesto, sem se importar com o soro na veia. “Tinha uma padaria ao lado e planejei tudo. Entrei e pedi água. Sabia que o dono ia buscar água lá no fundo. Enquanto ele fez isso, catei o maior pão que tinha. Fui esconder atrás de uns tijolos e arrumei o sanduíche. Quando estava comendo, passou um colega e disse: você está comendo o bife da marmita. Eu disse: não, estou só descansando”. Na hora da escolha dos times, quem estava no par ou ímpar era o tal colega. Ele ganhou e pediu: eu quero o Bife. “Mas aí eu zanguei, não devia ter zangado, bastou isso para o time todo gritar Bife, Bife. E nunca mais tive outro nome”.

O Bife foi contratado no início de 1980, já a época ia a meio, e foi marcado um jogo de apresentação - na altura face à escassez de contratações e para ajudar a pagar a mesma, era normal tal acontecer.

O Sp. Espinho foi o convidado e o jogo marcado para o dia 2 de Fevereiro de 1980 (pelos arquivos a data foi esta e o resultado 2-1), e a vedeta ia ser ele - José Silva de Oliveira - Bife para os adeptos. Mas algo viria a mudar esta história.

António Oliveira, tinha ido no início da época para o Bétis, mas estava descontente e queria voltar. E voltou. Mas voltou precisamente no dia da apresentação do Bife. 29 anos depois, já não retenho os pormenores, não sei se o Oliveira chegou a jogar ou não, só me lembro que um jogo particular e banal se tornou de repente no regresso do ídolo Oliveira. Na altura foi umas das maiores alegrias que tive e que foi ficando na memória, sempre associada ao Bife.

Ficou por cá até ao final dessa época de 1979/1980, não sei se o Verão Quente teve alguma coisa que ver com a sua saída, tendo efectuado 11 jogos e marcado 3 golos. Um ano depois voltaria a Portugal para jogar no Belenenses, onde esteve uma época.

Faleceu em Fevereiro de 2007, vítima de falência múltipla dos órgãos devido a uma cirrose hepática, depois de uma vida em que “Na época, ganhava R$ 120 por mês, mas gastei tudo, porque sou burro”.